make money online Mos Maiorum: Sobre o Lírio Branco

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sobre o Lírio Branco


Os lírios são aquelas flores angiospérmicas que toda a gente conhece, por estarem presentes em muitos jardins, e darem um toque de graça pelas suas pétalas grandes e graciosas. Mas para além do lírio ornamental, cujo bolbo de algumas espécies é comestível, existe o lírio branco: a mais nobre de todas as flores.
A primeira referência que eu encontro é na expressão O Lírio entre os espinhos (lilium inter spinas) dos cantares de Salomão, o símbolo do Amor Supremo entre marido e mulher. Ainda na Bíblia, mas desta vez no Novo Testamento, Jesus refere-se à Sua Mãe da mesma forma: Tu És o “Lírio entre os espinhos”. É a maior louvor à feminilidade no seu estado intocável, fiel e puro. Aponta também para uma forma de Amor muito para além dos sentimentos terrenos. No seu estado superlativo, só pode ser exterior ao homem. É divino e manifesta-se entre dois seres inseparáveis, cuja ligação é eterna e, por isso, nem a morte física pode destruir.
Passou a ser o símbolo de Nossa Senhora, a bendita entre as mulheres, aquela que amou como ninguém o Deus feito homem, e foi amada pelo Salvador que se sacrificou por todos nós. É a pureza e a castidade, a contenção das paixões terrenas e a concomitante abertura à Graça do Senhor.
Na Idade Média foi estilizada na flor-de-lis, um ícone com apenas três pétalas. O número não é arbitrário. Refere-se à Santíssima Trindade. Em França, o mesmo número apontava para três dons: a Fé, a Sabedoria e a Cortesia. Devido às diferentes pronúncias francófonas, a flor-de-lis foi também chamada flor-de-luz. Passou a ser um marco da nobreza francesa e acabou por se espalhar um pouco por toda a parte, Hoje em dia é a principal insígnia dos escuteiros.
A minha devoção não vai para a flor-de-lis, mas para a própria planta e, sobretudo, para o seu valor ancestral. Por ser a florescência do Amor Supremo, é a rainha entre as flores. Não deveria ser mexida e remexida por horticultores e floristas, que a manuseiam com a mesma banalidade como quem arrecada um molho de bróculos. É sagrada e, como tal, só deveria ser manuseada por uma Ordem de indivíduos que escolheram entregar a sua vida a uma missão. Como não tenho poder para as retirar das mãos grotescas da plebe, meus amigos, só vos peço que a respeitem e lhe dêem o valor que ela merece.

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